As tatuagens dele são grandes. coloridas. fecham o braço esquerdo e se espalham pelo corpo.
As dela são pequenas. suaves. preto-e-branco nos lugares mais escondidos.
Ele tem um alargador. Ela odeia piercing, mas ama o dele e vive insistindo para ele fazer outro.
Ela só sabe andar de calcinha e regata pela casa (achou bonito quando viu em uma foto aos treze anos e cultiva o hábito até hoje) Ás vezes ela gosta de vestir uma camiseta dele (mas isso é pelo cheiro do perfume que fica na roupa)
Ele anda pela casa de calça jeans, só porque é confortável. Sempre sem camisa. Nunca só de cueca, é magro demais e fica parecendo um nerd punheteiro, como classificou uma vez. Ela concordou, mas preferia ele sem nada.
O loft era em Londres. Grande. Minimalista (não havia motivo para ser diferente, na verdade)
Aqueles momentos – ela perambulando pela casa, ele procurando algo que nunca tinha para comer se largando no sofá e ela deitando do lado. A conversa. O silêncio confortável. O sexo casual, daqueles para passar uma tarde chatinha, chuvosa. As brincadeiras sob o edredom – eram tão raros. Todos aqueles momentos renderiam boas fotos – mereciam boas fotos.
Ela tentou se matar aos dezessete anos. Dois pulsos cortados dentro do banheiro (e pensar que foi só há dois anos) Foi salva pela irmã mais nova.
Dois meses no hospital foram o suficiente para emagrecê-la para ser notada por um olheiro.
Ele nunca tentou se matar, gostava da vida.
Há três anos, quando foi convidado parar modelar, também achou que era hora de parar com a heroína. As marcas não ficavam bem nas fotos, mas a magreza servia. Ele não foi realmente bem sucedido nisso até um ano atrás (foi quando a conheceu) Engordou 5 quilos, desse tempo pra cá. E não fez muita diferença, na verdade.
Ela conhecia a história dele. Ele não sabia a dela (Ela estava feliz e não achou necessário contar. Ele até chegou a ver a marca no pulso esquerdo, mas não deu muita atenção. )
Ela não acreditava que seria para sempre. Para ela essa frase está terrivelmente fadada ao fracasso. Se ela fosse brasileira, poderia citar Vinícius de Moraes (provavelmente faria uma tatuagem)
Ele gostava de pensar que seria para sempre, quando alguém perguntava. Imaginava que estaria tendo uma overdose enquanto ela estaria desfilando para Prada, ou qualquer marca assim, se fosse diferente. Foi com ela que ele parou de verdade e era muito melhor assim.
Ela não sabia disso, e também não iria fazer diferença.
Três dias depois da semana que merecia fotos ela foi pra Los Angels e ele para Milão. Encontraram-se dois dias depois em New York para fazerem um editorial juntos.
Ele queria voltar para Londres, ela precisava ficar e ele ficou também.
É assim e funciona bem. Talvez não dure muito mais, talvez dure para sempre. Eu espero que dure para sempre, seria bonito que durasse. E eles precisam que dure para sempre.
Eles são o tipo de coisa que merecem durar.
As dela são pequenas. suaves. preto-e-branco nos lugares mais escondidos.
Ele tem um alargador. Ela odeia piercing, mas ama o dele e vive insistindo para ele fazer outro.
Ela só sabe andar de calcinha e regata pela casa (achou bonito quando viu em uma foto aos treze anos e cultiva o hábito até hoje) Ás vezes ela gosta de vestir uma camiseta dele (mas isso é pelo cheiro do perfume que fica na roupa)
Ele anda pela casa de calça jeans, só porque é confortável. Sempre sem camisa. Nunca só de cueca, é magro demais e fica parecendo um nerd punheteiro, como classificou uma vez. Ela concordou, mas preferia ele sem nada.
O loft era em Londres. Grande. Minimalista (não havia motivo para ser diferente, na verdade)
Aqueles momentos – ela perambulando pela casa, ele procurando algo que nunca tinha para comer se largando no sofá e ela deitando do lado. A conversa. O silêncio confortável. O sexo casual, daqueles para passar uma tarde chatinha, chuvosa. As brincadeiras sob o edredom – eram tão raros. Todos aqueles momentos renderiam boas fotos – mereciam boas fotos.
Ela tentou se matar aos dezessete anos. Dois pulsos cortados dentro do banheiro (e pensar que foi só há dois anos) Foi salva pela irmã mais nova.
Dois meses no hospital foram o suficiente para emagrecê-la para ser notada por um olheiro.
Ele nunca tentou se matar, gostava da vida.
Há três anos, quando foi convidado parar modelar, também achou que era hora de parar com a heroína. As marcas não ficavam bem nas fotos, mas a magreza servia. Ele não foi realmente bem sucedido nisso até um ano atrás (foi quando a conheceu) Engordou 5 quilos, desse tempo pra cá. E não fez muita diferença, na verdade.
Ela conhecia a história dele. Ele não sabia a dela (Ela estava feliz e não achou necessário contar. Ele até chegou a ver a marca no pulso esquerdo, mas não deu muita atenção. )
Ela não acreditava que seria para sempre. Para ela essa frase está terrivelmente fadada ao fracasso. Se ela fosse brasileira, poderia citar Vinícius de Moraes (provavelmente faria uma tatuagem)
Ele gostava de pensar que seria para sempre, quando alguém perguntava. Imaginava que estaria tendo uma overdose enquanto ela estaria desfilando para Prada, ou qualquer marca assim, se fosse diferente. Foi com ela que ele parou de verdade e era muito melhor assim.
Ela não sabia disso, e também não iria fazer diferença.
Três dias depois da semana que merecia fotos ela foi pra Los Angels e ele para Milão. Encontraram-se dois dias depois em New York para fazerem um editorial juntos.
Ele queria voltar para Londres, ela precisava ficar e ele ficou também.
É assim e funciona bem. Talvez não dure muito mais, talvez dure para sempre. Eu espero que dure para sempre, seria bonito que durasse. E eles precisam que dure para sempre.
Eles são o tipo de coisa que merecem durar.

3 comentários:
Texto mais lindo! Quero algo assim para mim. Não que eu vá trabalhar na área da moda, mas todo o sentimento...
Muito bom!
porra, jey, me destroi assim, achei tao bonito e tão certo e tão simples e fofo e cara, meio triste teu tom e tals, mas lindo.
*-*
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